Domingo de tarde é chato de mais! (Só um desabafo).
As mulheres não prestam. Nem os homens. Somos todos adúlteros, falsos, artificiais. E é justamente essa artificialidade que me pega de surpresa. Vamos ao supermercado (e olha que essa palavra já é bem artificial), compramos nossa comida, compramos nossas drogas. “…nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça…”, já cantou Zeca Baleiro. É nesses momentos de nóia que fico em dúvida sobre o estado natural de existência do homem (e da mulher). Alguma estilista britânica (que eu nunca tinha ouvido falar, e esqueci o nome), disse em uma entrevista, que a capacidade artificial dos seres humanos é admirável. É o ser racional que nos mostra novas possibilidades de vida, que apresenta ao cotidiano o desodorante, a pasta de dente, o perfume, a maquiagem e o silicone. “É metade meu, metade falso, portanto verdadeiro, pois fui eu quem comprei”, disse Fernanda Young, certa vez, quando falava do aplique que tinha feito no cabelo.
Sim, nós somos artificiais. Ser natural implica uma série de coisas desagradáveis, incluindo cheiro de asa, pés de galinha, espinhas horríveis, poros abertos e peitos pequenos.
Ah! Antes que eu esqueça: e que tal os cães e gatos? Hoje os nossos pets vestem roupas de grife e curtem banho e tosa. Sem contar as vacinas. Agora pensa num bicho do mato, que se vale da remota probabilidade pra sobreviver. Que tal? Isso é o estado natural de existência de nós, seres humanos (e dos nossos pets?). Ou será que essa “artificialidade natural” é o nosso estado natural de existência?
Daniel Bosi, Fora de Regra e com aroma artificial de abacaxi.
BOM o texto daniel, bem bom mesmo!
a artificialidade é essencial em dosagem certa.